Semiologia Digital

Imagem: Márcia Tondello
Imagem: Márcia Tondello

Algo que me chama bastante atenção nos últimos tempos (leia-se anos), é como a diversidade cultural, num mundo de acesso quase irrestrito à uma rede mundial de informação(?),causa um retardamento no estabelecimento de uma nova semiologia (enquanto estudo da comunicação através da linguagem e dos signos que a compõem) digital.

De forma mais direta: Ninguém se entende na internet. Os símbolos, signos e a própria linguagem se transformam (semiose) numa velocidade tão grande, que é quase impossível que se estabeleça como tal (signo, símbolo, ou linguagem).

Para corroborar essa minha impressão, basta uma passadinha por alguma rede social e uma breve leitura de algumas postagens e seus respectivos comentários.

Como exemplo, veja o uso da Caps Lock, que QUASE todo mundo sabe que é para indicar quando a pessoa está gritando. Certo? Por incrível que pareça nem todos sabem disso. Ou o #SQN (só que não), indicativo de que a pessoa está sendo sarcástica, ou irônica, que ela pensa exatamente o contrário do que foi escrito. Já vi sermões fervorosos por falta de entendimento do “signo”.

Eu costumo usar uma carinha piscando sempre que quero demonstrar que o que escrevi foi com simpatia, sem a intenção de iniciar uma discussão. É quase um “pensa nisso”, muitas vezes. 😉 Mas também uso muito – como agora – como uma pergunta: “entendeu?”.

Também uso aspas – e não foi o caso acima – mais em comentários nas redes mesmo – para indicar que escrevi algo errado para transgredir, não porque não sei escrever. “Nunguento” é um bom exemplo.

Mas não há nessa minha impressão nenhuma novidade, visto que a linguagem, seus símbolos e seus signos sofrem transformações no mundo fora dos computadores também e, por isso, tem um estudo para isso, mas o que me dá uma coceirinha, me faz pensar, é em como a velocidade de transformação faz com que a linguagem na rede vire moda passageira. Tudo é gíria. E as gírias ficam ultrapassadas muito rápido. Conclusão óbvia: Ninguém se entende. Vivemos mergulhados em um mar de diálogos nonsense. Mas isso é papo para outra postagem, ou para outros canais. 😉

Até!

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6 comentários sobre “Semiologia Digital

  1. O entendimento não é o forte da nossa roça, conta a vista do meu ponto. Aspas uso, por exemplo, para ser um tanto irônico como dizer que o PT é um “exemplo” a ser desistido. O que tenho visto (trabalho com comunicação) é que a rede tem uma característica next. É tudo rápido, passageiro, virtualmente na velocidade da próxima discussão, a próxima atração, o que vem em seguida, cheio de de virais e celebridades tão instantâneas no sentido do surgimento veloz e do desaparecimento imediato. Não sei como usar as carinhas. Mas as entendo, acho. Entendeu?

    1. Penso que é exatamente por aí. A linguagem é só um reflexo do imediatismo de posicionamentos, dessa necessidade de virar a página muito rápido, tratando tudo como a grande piada do dia e que passa com ele, às vezes antes. Muita coisa para pensarmos, num tempo em que as pessoas querem respostas rápidas, de preferência em uma imagem e uma frase curta. Só um meme e já está “tudo resolvido”.
      Para mim suas aspas estão bem claras, em crônicas e artigos de opinião também uso assim – em ficção uso muito para diálogos transcritos (do passado). Infelizmente nem todos entendem, pois usam-nas de forma diferenciada, às vezes nem as usam. 😉 Como minhas carinhas piscantes e tudo o mais que vemos por aí. Não sei para aonde isso nos leva, mas a julgar pelos equivocos aqui fora e a intensidade disso na rede… temo que a tendência seja um caos na comunicação e,por consequência, nas relações.

      Adorei a visita e a chance de desdobrar a reflexão.

      Até!

      1. Até daqui a pouco. Mas pensei que talvez, só talvez, esteja ao nosso alcance desdobrar a reflexão escrevendo. Quem sabe alguns nos sigam, quem sabe seja possível fazer mais carinhas felizes aparecerem por aí, hum?

  2. Márcia, tenho observado tudo isso também e confesso que me incomoda muito o excesso de algumas coisas e principalmente a gritaria nas redes sociais. Mas tenho cá comigo que na realidade, ninguém quer entender ninguém. Não generalizo mas sei que na grande maioria as pessoas escrevem o que querem, entendem o que querem e desenvolvem polêmicas porque gostam de “causar”. Bom ter você de volta por aqui!

    1. Coberta de razão, Roseli. As pessoas querm falar, mas não escutar, escrever, mas não ler e assim por diante. É muito especialista para nenhuma reflexão. O “negócio” é “causar”, como você bem colocou. É “parecer” “antenado”, culto, esperto, inteligente. E na maioria das vezes são mesmo altamente subjetivados. Triste…
      Valeu a visita! 😉 (carinha sem entrelinhas agora hahaha)

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