Amargo e Azedo

 

chimarrao

 

 

 

 

Crédito das imagens:http://sxc.hu – standard restrictions apply

É simples quando precisamos descrever coisas materiais, como um bolo: pão doce e fofo, com ou sem calda de cobertura. Cada um encontra sua maneira de descrever as coisas. Imagine que você tenha que descrever algo para um alienígena. É um exercício maravilhoso para escritores (ou pretensos) e para não escritores também.

E um beijo? Não é algo material, mas é uma ação: o toque entre os lábios de duas pessoas, ou o toque dos lábios de uma em outra parte do corpo de outra, como mãos, bochecha, testa, orelha…

Agora… descrever coisas abstratas… é um nível bem mais avançado da coisa.
Vamos começar com algumas mais simples. O que é doce ao paladar? Algo que leva açúcar, ou similar. Salgado? Algo que leva sal. Foi? Vamos avançar. O que é amargo? Ops…Algo que arranha na garganta, pode ser? E azedo? Ui! Algo que queima a boca. Mas isso não é pimenta? Ou quente? Mmmm… é… também. Amargo e azedo… qual a diferença? É possível descrever sem exemplificar? Azedo é limão, amargo é chimarrão. Ah, tá!
E uma pessoa azeda, é uma pessoa amarga (ou amargurada)? Peguei você de novo, não é?

Agora imagine descrever paixão, medo, ódio, amor… não é à toa que poetas e escritores, não raro, perdem o interesse por coisas cotidianas e materiais. Deve ser culpa desse exercício. Culpa? Mas o que é culpa?

Tantas palavras que atravessam nossas vidas e que mal conseguimos descrever sem pensar um pouquinho que seja antes… curioso, não é? Como nos apropriamos delas como se fôssemos íntimos.

E o que nos encanta em certos escritores é exatamente a capacidade que eles têm de nos dizer o óbvio, de um jeitinho especial que nos faz perguntar “como eu não tinha pensado nisso antes?” E é por isso que a leitura é tão importante. Por isso dizem que ela “abre nossas mentes”, pois descobrimos a cada novo texto, novo livro, formas diferentes de rever o mundo. E esse exercício é viciante, nos faz querer sempre mais, e por isso leitores assíduos são mais exigentes, eles estão inconscientemente garimpando novos olhares sobre as coisas, já não se satisfazem com mais do mesmo.

Mas será que somos assim com outros aspectos da vida? Buscamos mais das relações, da carreira, do conforto, dos estímulos, dos aprendizados entre outras coisas, ou estamos satisfeitos sabendo que azedo é como o limão e amargo é como o chimarrão?

Percebeu como esse texto está cheio de perguntas? É como a vida. Nem sempre temos as respostas, ou as respostas satisfatórias. E é disso mesmo que se trata, não é? De buscarmos, ou esperarmos por elas. Qual dessas opções lhe parece mais divertida? 😉

Até!

Anúncios

4 comentários sobre “Amargo e Azedo

  1. Indagar, perguntar, repensar, buscar respostas sempre! Marcia, amei esse seu lado filósofa! Eu de antemão já digo: Adoro todos os sabores. Meu paladar vai do doce ao azedo passando pelo salgado e o amargo. Aos poucos aprendi a reconhecer o prazer de degustar cada um deles. E assim é a vida também. A gente vai aprendendo a reconhecer o valor e a necessidade de cada coisa em nossas vidas. Ohloko! Olha só eu também filosofando. Humm!!! Isso pega rsrs
    Bjs

    1. Hahahaha pega sim!! É exatamente essa a ideia!! Você não imagina como fico feliz quando percebo que funcionou, pois adoro quando leio algo que faz isso comigo ;-). Gratidão por suas visitas e comentários sempre,Roseli. 😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s