Des(z)medida

É, uma onda do des(z) me pegou…rs

Crédito da Imagem: http://sxc.hu - Standard restrictions apply
Crédito da Imagem: http://sxc.hu – Standard restrictions apply

Há alguns anos comecei a perceber um indicativo de que nos encaminhávamos para a sociedade da desmedida. Cada vez se mata por menos, se revolta por pouco e não nos satisfazemos com muito.

Já apontei isso aqui e aqui.

Fui uma adolescente rebelde. Defendia coisas das quais hoje não me orgulho, por terem sido elas sementinhas de discursos que hoje nos trazem claramente a desmedida. Percebo esses discursos em músicas da época que eu achava “fodapracaralho” e que hoje me causam certo incômodo.

Não que tenham sido as causadoras, o problema é que uma vez que uma ideia é lançada no mundo, seu autor perde seus “direitos”, pois o leitor/ouvinte/observador traz essa ideia para seus referenciais, coloca no contexto que lhe parece mais adequado e pimba! Ela às vezes (muitas vezes) acaba sendo distorcida ou dizendo o oposto do que queria dizer.

Só a cargo de exemplificação temos os clamores por direitos. Não me oponho, realmente temos que cobrar das autoridades competentes que façam o que eles recebem para administrar e nos prover, mas… isso virou um ode à mesa boba (para quem não sabe do que se trata, aqui). Tudo é obrigação de alguém, tudo é nosso “direito”, mas não temos nenhum dever, nenhuma responsabilidade.

Queremos muito, nos doamos pouco. A desmedida (para o excesso e para a escassez) está nos transformando em uma legião de preguiçosos. A maioria com preguiça até de pensar.

Confundimos liberdade com libertinagem, direitos com acomodação, indignação com violência, medo com raiva e por aí vai.

Ontem, na rua, vi uma senhorinha, que mal podia andar, por algum problema nas pernas, atravessar a rua, na minha frente, enquanto eu esperava (im)pacientemente o sinal fechar. Lá se foi ela, no meio dos carros e motos que vinham sem intenção de parar, pois o sinal permitia sua passagem, levantando a mãozinha para eles, naquele sinal universal de “espera aí!”. Atrapalhou todos, que acabaram presos no sinal, pois esse, logo em seguida fechou. Atravessei a rua e passei por ela, me controlando muito, muito mesmo para não segurá-la pelo braço e perguntar o que a faz cometer tamanha idiotice, se colocando em risco e colocando os outros também, afinal, uma daquelas motos poderia não conseguir parar? Se não consegue nem andar, o que a faz achar que tem o “direito” de atravessar com o sinal verde? Por que a pressa, se o sinal já ia fechar e ela nem pode ter pressa, se não consegue andar rápido? Respirei uma, duas, três vezes e contendo minha “fúria desmedida”, minha consciência me dizendo que deveria alertá-la para a loucura que acabara de cometer, só me dignei a passar por ela balançando a cabeça negativamente. Nem perdi meu tempo, se continuar nesse passo (com o perdão de um tipo de trocadilho) ela não fará isso por muito tempo.

Ensinem suas vovós e mamães a andarem direito na rua. Nenhum “direito” nosso, enquanto pedestres nos trará de volta à vida, se formos atropelados.

Já comentei que tenho uma teoria de que estamos nos transformando numa espécie de zumbis? Bem, mas isso é assunto para outra postagem . 😉

Até.

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2 comentários sobre “Des(z)medida

  1. Minha cara, tudo está em efervescencia. As coisas mudam muito rápido e, nem sempre as pessoas estão preparadas, aliás, não estão. É preciso respirar fundo e se esforçar para não dar bengaladas em velhas senhoras. rs
    Liberdade e libertinagem são objetos comuns, tanto quanto direitos e deveres.

    bacio

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