Presunção de Fideli Imadapa

Foto by: Márcia Tondello

Podia ser linda como um jardim, repleto de variedade quase infinita de flores. Um riacho entre bromélias, rosas, girassóis e até orquídeas, penduradas em suas árvores de tamanhos diversos. Pedras ladeando o riacho, em suas diferentes formas e cores. Uma fileira de árvores frutíferas completando o cenário, quase o paraíso.

Como um negativo de si mesma, podia ser aterrorizante como um cenário de guerra, com prédios em destroços, tanques de guerra, armas caídas imóveis, como o corpo em decomposição ao seu lado, com seus dedos flácidos e pálidos, manchados de sangue, que a fuga da alma já não permitia forças para segurar.

Em tempos menos inspiradores se mostrava tão comum como um dia qualquer. Era um retrato do cotidiano, com ruas iguais, pessoas iguais, na mesma luta, sem paixão, em busca de um sentido para aquela passagem fugaz.

Efêmera, volúvel, passageira. Frequentemente escondida entre ímpetos e cautela. Às vezes rasgando o peito e esfregando na cara de qualquer um, às vezes um vislumbre de uma unha, sugerindo o dedo em riste, ou uma nova cor que esmaltava seus contornos.

Podia ser o que quisesse, era maleável como mercúrio líquido, dependia muito pouco da forma, era somente uma escrava das circunstâncias.

Trabalho Hercúleo descrevê-la. Era simples, composta, forte, delicada, formal, descolada, perfeita ou toda errada. Era muito esnobe quando queria, mas pouco tocava as pessoas; quando humilde era melhor compreendida. Talvez por isso ela se disfarçava de humildade muitas vezes. Tudo dependia de para onde estava indo. E muitas vezes o destino era o que menos importava para ela. Era pura intuição, era sensações e sentimentos, era emoção e entendimento. Era empírica, precisava experimentar para compreender. Era racional, precisava lucubrar para avançar. Bipolar, talvez, mas não se detinha por esses detalhes. Era minunciosa e matreira. Escorregadia, nem sempre se deixava identificar. Seu maior prazer era criar enigmas para os olhares que a seguiam.

Independente do caminho que seguisse, seu destino era o mesmo. Era um transformador. Transfigurava palavras em imagem. Você talvez a tenha visto por aí, ou por aqui. E, quem sabe, até a tenha reconhecido.

😉

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