Cartas à Bernadete

Crédito da imagem: http://sxc.hu
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Cadema era um vilarejo pras bandas de jurubá. Contava com não mais que 500 habitantes naquela época. A maioria que lá vivia tinha familiares morando na “cidade grande”, Sudema do Norte, cidade de seus 10 Mil habitantes há uns 60 km de distância.

Bernadete vivia lá, com a mãe, o pai e um irmão. Era a mais velha, com seus 16 anos. A doença do pai a obrigou a desistir dos estudos em Sudema para ajudar a mãe na lavoura.

Toda quinta-feira Bernadete sumia por algumas horas e, ao ser indagada sobre eu paradeiro, respondia com um dar de ombros: “Por aí”. Depois se trancava em seu quarto e sempre saia de lá com os olhos avermelhados de quem tinha chorado.

Naquela época houve um burburinho na cidade sobre o péssimo serviço dos correios. Muitos alegavam não estar recebendo cartas de seus familiares, que juravam tê-las enviado.

Quando Bernadete estava com 17 anos, adoeceu. Os médicos não descobriram a tempo a origem de sua febre e ela faleceu uma semana depois. Era um vírus altamente infeccioso. Ebola.

Na busca por saber como aquele vírus tinha ido parar em Cadema, deram uma busca nos aposentos de Bernadete. Descobriram lá centenas de cartas, todas endereçadas à ela, com a mesma caligrafia nos envelopes, todos ainda lacrados. Achando aquilo muito esquisito resolveram abrir algumas e descobriram que o serviço dos correios não era assim tão ruim. E que Bernadete gostava de cartas, mas não recebia nenhuma.

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