Otimismo sintomático

Crédito da imagem: Http://sxc.hu
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Na postagem anterior eu comentei sobre a busca por um equilíbrio do pêndulo interno. Hoje, ouvindo uma emissora de rádio, acompanhei o locutor colocando uma música em votação (me eximo de fazer considerações sobre a idoneidade dessas votações) para saber se entraria, ou não na programação da referida rádio. A música em questão era “Para ser Feliz”, enaltecida pelo tal locutor quase como um hino ao otimismo. Daí fiquei lá, após ouvir a primeira estrofe, pensando sobre o que acabara de ouvir (do locutor e da música) e me ocorreu a ideia de que o otimismo pode ser um sintoma das necessidades de uma sociedade.

A primeira coisa que me ocorre é que tenho notado nas pessoas uma preferência por tudo que destaca o otimismo (com qualidade e validade, ou não). Faço, então, uma relação mental de alguns itens populares dessa preferência: A música que fala de BUSCAR a felicidade, a postagem nas redes sociais que fala de COMO ser feliz, ou que mostra como ESTÁ feliz (não que realmente esteja); lembro do “jornal” que só tem notícia boa (clara e assumidamente uma oposição às desgraças diárias dos jornais em circulação) e, então, a segunda coisa que me ocorre só pode ser… a pergunta: Por quê?

Crédito da imagem: http://sxc.hu
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Nós precisamos acreditar que tudo pode melhorar. Precisamos acreditar numa fórmula mágica, precisamos ouvir que “everthing´s gonna be all right” (aliás adoro a música com esse nome tocada pelo Jacob Moon – ouve lá, é quase um rivotril). Então veio o terceiro pensamento: O otimismo é sintomático. Exacerba as mazelas que mantém a água pelo nariz da gente (um pouco mais acima talvez, vamos combinar). Tá difícil, tá sinistro, tá bizarro, precisamos olhar pela fechadura e ver um jardim florido, “por favor!!”.

Preciso aprender a escrever coisas assim. Feliiiiz!!! Tá…

E eis que já começa a surgir um quarto pensamento. A segunda preferência nacional (se não for essa a primeira) a graça. As piadas. As troças. A catarse da tragédia (ou seria das tragédias?), como a enxurrada de piadas e trocadilhos surgidos logo após o 5º gol da Alemanha. Mas me recuso a entrar nesse assunto. Ninguém aguenta mais chafurdar nessa lama, né não?

 A música da votação? Só captei a primeira estrofe. A reflexão?  Preferiu voar para outros ares mais amenos depois da trágica goleada vir à tona.

 Até.

Ps.: Formatar o texto com tabulação nos parágrafos é tarefa árdua no WordPress, portanto, a partir de hoje, abrirei mão dela (se aguentar). Beijo pra torcida. Ei! Espera!

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2 comentários sobre “Otimismo sintomático

  1. Não concordo que o otimismo seja sintomático para todos. Algumas pessoas escolhem ver o mundo de uma forma e outras escolhem vê-lo de outra forma. O mundo te responde de acordo com a maneira que vc o vê. Talvez as pessoas otimistas sejam realmente mais felizes que as pessimistas 🙂

  2. Concordo com você em relação ao indivíduo, mas estou falando do coletivo. E sempre podemos questionar o quanto as escolhas individuais são influenciadas pelo meio em que vivemos. A reflexão proposta segue esse caminho 😉

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