Olho por Olho

Olho por olho e o mundo acabará cego.

Olho-Por entre os cílios
Crédito da imagem: http://www.sxc.hu

 A frase é velha, mas muito atual. Fontes diversas atribuem a Mahatma Gandhi.

         Olho ao redor e vejo um mundo moribundo. Com o advento da internet podemos não só acompanhar as notícias em tempo real, não só temos acesso a mais informações, temos também acesso às impressões que elas causam, se estivermos atentos aos comentários nos jornais virtuais, ou mesmo nas piadinhas que as notícias geram, disseminadas pelas redes sociais, horas depois de virem à tona. É tudo muito rápido, inclusive os posicionamentos…

Olho-Crianças vendadas-Sépia
Crédito da imagem: http://www.Sxc.hu

      Tenho notado (como já mencionado em outra postagem) que vivemos um período que chamarei de “política da rivalidade”, em que, pra fazer valer algo que julgam melhor, hostilizam o que já está aí “atrapalhando”. Mas isso foi/é só uma etapa da transformação social que já dá as caras por aí. E ela aponta escancaradamente para a justiça pelas próprias mãos, para o olho por olho.

         Se toda pessoa que se sentir roubada resolver roubar, se todo parente de vítima virar algoz… olho por olho…

Crédito da imagem: www.sxc.hu
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        Ao mesmo tempo, percebo que quem se posiciona a favor da justiça por meios próprios, na verdade só clama por segurança e (sim, por ela) justiça, a qualquer preço. A sociedade sente-se desprotegida. Foi massificado um ódio a qualquer instituição com função de manter a ordem pública. Me pergunto se quem começou com isso não previu que era inevitável que chegaríamos a esse ponto. É o caminho óbvio! Você se sente acuado, você se protege, você se arma. Mais uma: A melhor defesa é o ataque. O mundo está mais cheio que nunca de velhas frases prontas. Que medo…

            Junta-se a isso a sensação de inversão que constatamos todos os dias. Bandidos, quando a polícia consegue prender, a justiça tem que soltar. Mas vai você, que procura viver corretamente, que não fura fila, não passa sinal vermelho, que paga suas dívidas em dia, trata aos outros com educação, independente da sua ocupação etc (do latim et cetera , “e as outras coisas”), vai você, ao se defender, matar um assaltante… vai… sabemos o que aconteceria, vemos a inversão, então, junta-se essa sensação ao resto e temos o tempero certo para a revolta, para a ideia de que mais vale matar que morrer, que se você mesmo não fizer, a impunidade reinará… amarrar ao poste é um pedido de socorro e ainda nem é um grito… Já estou querendo um estoque de tampões.

Crédito da imagem: www.sxc.hu
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            Não sinto pena de nenhum dos marginais que foram amarrados. Me coloquem na cruz, mas não sinto MESMO. Esse discurso de vítima da sociedade já nasceu desgastado. Conheci muitas pessoas MUITO desfavorecidas que sempre optariam por outra alternativa antes de roubar. Eu mesma fui uma, passei por momentos muito duros, mas nem cogitei furtar, roubar, sequestrar, matar e o mais disse, antes morreria de fome. Mas também não exalto quem o fez, digo, amarrou ao poste. Para qualquer opinião eu precisaria antes conhecer as circunstâncias profundamente. E, mesmo de posse desse entendimento, a ideia de impôr a justiça com violência não me agrada. Parece só o começo de algo muito ruim.

             E quem não quer seguir pelo caminho da revolta violenta travestida de justiça, acaba se aliando ao medo e se escondendo entre muros, grades, ou paredes, evitando as ruas, não querendo servir de isca. Será que não há outra forma? E vem lá os discursos de que somos subjetivados para agir assim. Pode ser. Você já teve uma arma na cabeça? Eu já. Nem te conto. Aliás, conto sim. Passei algum tempo andando com uma faca presa na cintura e muito treino para retirá-la rápido. Revolta, ou muros, cada um reage de uma forma.

         E não me venha com xurumelas de “governo, blá, blá, blá!”. O governo tem suas responsabilidades e vai fingindo que as cumpre (nem sei quanto por corrupção, quanto por incompetência, quanto por impotência), enquanto alguns acreditam no fingimento, outros não. Mas apontar culpados não vai descarrilhar essa locomotiva, talvez a alimente de combustível ultra sônico.

        O que não deve continuar é o que está nos dois extremos desse trilho: Nem se pode defender bandidos, nem se pode sair matando e torturando.

Olho por olho e o mundo acabará cego.

Até!

Ps.: Como a produção está bem mais adiantada que as postagens, já poderia atualizar esse texto, está quase “velho”. O olho por olho se expande. Novas formas estão surgindo, novas tribos se juntam aos gritos de “olho por olho!” Tribos? Ah, é…rs… Isso é assunto para a próxima postagem 😉 Até!

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