LETS ou ONINALLEVER

As postagens dessas crônicas / artigos de opinião de última hora refletem impressões inerentes às circunstâncias e momentos vivenciados e observados quando de sua escrita. Elas não têm compromisso com a posteridade, não pretendem ser definitivas, afinal o mundo gira, as opiniões mudam, tudo se transforma, principalmente para quem pensa. Postagens contraditórias podem ocorrer.

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Crédito da imagem: http://sxc.hu

     Estar Ligado Em Tudo Sempre tem um alto custo.

     Andando pela rua em “on” ela notou que a maioria das pessoas anda “off” para a maioria das coisas. A maioria esmagadora das pessoas, simplesmente absorveu conhecimentos sobre seus “direitos” e ligou no modo automático, esquecendo do principal: O outro. Ninguém está realmente se importando com o quanto pode estar atrapalhando, incomodando, ferindo, machucando, agredindo, insultando, invadindo o espaço, ou magoando outras pessoas. Desde que esteja seguindo seu caminho e resolvendo seus problemas, está tudo certo.

      Andando na rua, ligada “in” seus passos ela percebeu alguém com mais pressa que ela e que não podia ultrapassá-la na calçada estreita. Se espremeu entre a árvore e o meio fio, lhe dando passagem. Nenhum agradecimento pela manobra arriscada. “Tudo bem, ele estava com pressa. Tomara que chegue a tempo”. Ficou imaginando um compromisso inadiável, um trânsito caótico que o atrasou e suspirou feliz por, talvez, ter feito a diferença. Mas logo em seguida pensou que, talvez, sua boa ação poderia ter atrapalhado os planos do destino. “E se eu fui colocada na frente para atrapalhar?”. Acabou cedendo a lógica de que, se assim fosse, outra coisa o atrasaria. Mas não ela. Nunca ela.

     Andando na rua, “all” lhe parecia confuso. Tudo meio fora do lugar. Como aqueles pedestres atravessando fora da faixa, exatamente após uma curva em que muitos carros viravam. E eles andavam devagar. E nem olhavam pra trás e, por isso, não viram o desespero da mulher que parecia ter alguém deitado no banco de trás, a quem ela tranquilizava, enquanto aguardava a travessia dos pedestres despreocupados para poder seguir. Ela viu. Imaginou uma criança com a perna quebrada e gritando de dor. Lágrimas encheram os reservatórios e a represa estava pronta para romper. Colocou o óculos escuro, apesar do céu nublado e da chuva fina que começava a cair.

     Andando pela rua “ever” pensava em como deveria ser difícil ir de um local a outro com deficiência visual. Pensou que os sinais de trânsito poderiam ter um sinal sonoro quando abriam e fechavam para o pedestre e carros. Não deve ser tão complicado, nem ter um custo tão maior que a mãozinha vermelha e a pessoinha verde.

      Parada no sinal, esperando para atravessar, ligada em tudo sempre, um movimento brusco chamou sua atenção. Era um encontrão entre duas pessoas que viravam a esquina em sentido oposto. Nos poucos minutos que ali ficou, esperando o sinal abrir, mais dois encontrões aconteceram. Ficou pensando porque, raios, as pessoas não andavam pelo lado direito. Isso evitaria muitos encontrões. Simples assim, se todos andassem pelo lado direito na calçada, todos saberiam sempre como agir em situações diversas, basta, em mão dupla, manter-se a direita, é só lembrar que quem vem no sentido oposto deve cruzar a sua esquerda, não é tão difícil. Acabariam-se os encontrões nas esquinas da vida.

      Chegou em seu destino e percebeu que o percurso a deixou muito cansada. Pensou que não poderia mudar o mundo, mas que não conseguiria simplesmente desligar do entorno para se poupar. Percebeu que tinha um defeito de fabricação: Lhe faltava o botão de off, que a maioria já tinha descoberto. Era só focar em seu problema, afinal, o problema do outo é do outro. “Quando esse problema não sou eu”, pensou.

      Terminou de resolver seus problemas, sempre com o cuidado de não ser problema pra ninguém. Voltou pra casa e, só após entrar no banho, lembrou que tinha esquecido o compromisso mais importante. Não quis incomodar ninguém e deu o seu jeito.

      Tá bom. Não aconteceu exatamente assim. A sequência dos fatos pode ter sido diferente. Talvez não tenham acontecido todas no mesmo dia, durante o mesmo percurso. Algumas coisas podem ter sido omitidas, ou exageradas. Risco ocupacional. Atualmente tudo entra automaticamente na narrativa de conto. Mas, na real? Me sinto assim todos os dias quando ando na rua. Vejo as pessoas cada vez mais surdas, cegas e sem noção (os dois primeiros em sentido figurado, já que, não raro, os que realmente sofrem dessas deficiências, enxergam e ouvem melhor que muita gente sem elas).

      Acontece que eu gosto de colocar as coisas em perspectiva. Assim, em circunstâncias familiares, acredito que as pessoas consigam perceber melhor a questão. E quem sabe, refletir sobre ela.

     E você? Anda LETS, ou ONINALLEVER, ou prefere fazer parte dos MEPS?

     MEPS? Meu Ego Primeiro Sempre.

     LETS pagam um preço caro, mas é inevitável. Uma vez LETS, sempre LETS. Se cruzar com alguém na rua e estiver andando pela esquerda da calçada, pode ouvir um sonoro “DIREITA!”. Agora já sabe porque e já é um pouquinho mais LETS.

Até!

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4 comentários sobre “LETS ou ONINALLEVER

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